quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Rato que roi o rato.

A melhor, e provavelmente, coisa mais importante que a família do meu pai pode passar de geração em geração, é a presença e o gosto por músicas do Chico Buarque, e que se destaca na história familiar. Músicas que eu vou fazer questão de passar pros meus sobrinhos e (se no caso) pros meus filhos também.
A capacidade de escrever sobre a sociedade, sem nem citá-la que Chico tem é incrivel. Apenas algumas pessoas percebem do suas músicas se tratam de verdade, e nem sempre estão certas.
Eu passei a analisar uma música do Chico que foi gravada no cd "Carioca", ela se chama "Ode dos ratos".

"Rato. Rato que rói a roupa, que rói a rapa do rei do morro, que rói a roda do carro, que rói o carro, que rói o ferro, que rói o barro, rói o morro, rato que rói o rato. Ra-rato, ra-rato. Roto que ri do roto, que rói o farrapo, do esfarra-rapado. Que mete a ripa, arranca rabo. Rato ruim, rato que rói a rosa, rói o riso da moça e ruma rua arriba em sua rota de rato."

Quando eu digo que ele fala da sociedade sem falar, é verdade. Nós, ratos, fazemos de tudo pra acabar com os outros pra nos sentirmos superiores. O fracasso dos outros se torna nosso sucesso. Por isso as questões não se resolvem, e por isso que ninguém consegue "ir pra frente". O egoísmo que nos cerca, e corroi nossas mentes e corpos, nos torna ratos. Rato que roi o rato.

1 comentários:

bruno:cunha disse...

Tema legal de se falar. Uma vez, um cara me disse que não exite atitude definitivamente altruísta vinda de um ser humano, pois mesmo quando se vê alguém fazendo alguma coisa pelo semelhante é pra alimentar o sentimento de orgulho e auto-satisfação, ou então para criar a ilusão de somos melhores do que os que estão a nossa volta.
Eu discordei dele na hora, mesmo sem ter a metade dos argumentos que ele tinha eu discordei. De fato, até hoje eu não tenho muitos argumentos pra rebater esse tipo de pensamento.
Só tenho o sentimento de que não é assim que deve ser.